Saúde

30 de março é dia mundial do transtorno bipolar

19/03/2019

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Foto: Shutterstock
 
 
Segundo a Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos), o dia 30 de março se tornou o Dia Mundial do Transtorno Bipolar em homenagem à data de aniversário do pintor Vincent Van Gogh, que foi diagnosticado como portador do transtorno bipolar.
 
Trata-se de uma doença mental que representa um desafio significativo para portadores, profissionais de saúde, familiares e comunidades. De acordo com a Associação, o objetivo do Dia Mundial do Transtorno Bipolar é chamar a consciência mundial para transtornos bipolares e eliminar o estigma social.
 
Segundo dados da ABTB (Associação Brasileira de Transtorno Bipolar), o transtorno atinge 4% da população, o que representa cerca de 8 milhões de brasileiros, sendo que 60% dos casos tem sua primeira manifestação antes dos 20 anos de idade.
 
De acordo com especialista; o transtorno bipolar se caracteriza pela presença de episódios de mania ou hipomania, e episódios depressivos.
 
No episódio de mania, o portador apresenta euforia, uma alegria intensa, de felicidade fora do normal. Também ideias de grandiosidade, riqueza ou elevada autoestima e autoconfiança, com perda do bom senso, que pode atingir um grau fora da realidade (delírio). A pessoa pode apresentar também irritabilidade e impulsividade de forma exacerbada.
 
“O pensamento fica acelerado, muitas ideias fluem simultaneamente ou numa sequência tão rápida que não se consegue expressar verbalmente”, afirma. Há diminuição da necessidade de sono, comportamento sexual excessivo, descontrole nos gastos e atitudes sem a percepção de sua inadequação. Fica agitado, eventualmente agressivo, distraído e totalmente desconcentrado. Segundo o psiquiatra, o episódio de hipomania tem características similares ao de mania, mas os sintomas são mais brandos.
 
Já o episódio de depressão se caracteriza por tristeza profunda, perda de interesse por tudo, pensamentos negativos (ideias de ruína, culpa, inutilidade, baixa autoestima) que podem ser intensos a ponto de configurar um delírio. Há modificações no sono: enquanto algumas pessoas têm insônia, outras apresentam hipersonia (dormem mais do que o habitual). Em relação ao apetite, pode haver aumento no consumo de alimentos como forma de aliviar a ansiedade. No entanto, a perda de apetite é mais comum neste quadro.
 
Há também diminuição da libido, apatia, fadiga excessiva e desinteresse por tudo. “A pessoa mal tem vontade de levantar da cama pela manhã”, reforça o especialista. Nos casos graves de depressão, pode haver ideias de suicídio, e até tentativas. O transtorno bipolar é a doença mental que mais causa mortes por suicídio: cerca de 15% dos pacientes tiram a própria vida.
 
Tipos de transtorno bipolar
 
Segundo o psiquiatra, há dois tipos de transtorno bipolar: o tipo I, que apresenta quadros de mania e depressão, e o tipo II, com episódios de hipomania e depressão. A sequência de manifestação dos episódios maníacos/hipomaníacos e depressivos é variada, ou seja, não acontece, necessariamente, de forma alternada. Os eventos, tanto de mania/hipomania quanto os de depressão, têm duração, em geral, de semanas.
 
Apesar de a doença se manifestar mais comumente no adulto jovem, ela pode acometer pessoas mais velhas, inclusive na terceira idade. Atinge ambos os sexos numa proporção semelhante e perdura a vida toda. As causas podem envolver genética, hereditariedade e fatores ambientais/externos como uso de drogas, álcool em demasia, estresse constante, entre outros.
 
O tratamento depende da fase da doença. Os quadros maníacos/hipomaníacos são tratados com estabilizadores do humor, como o lítio (para evitar ou reduzir as chances de um episódio agudo), podendo associar o uso de antipsicóticos. Os quadros depressivos podem ser tratados com antipsicóticos ou anticonvulsivantes. Também é possível introduzir antidepressivos, porém, estes podem desencadear um quadro maníaco/hipomaníaco.
 
“Na dúvida quanto à possibilidade de ser portador de transtorno bipolar, o ideal é consultar um médico psiquiatra, que poderá fazer a avaliação dos sintomas, o diagnóstico e indicar os tratamentos adequados”, finaliza o Dr. Mario Louzã.
 
Por: Prof. Dr. Mario Louzã, médico psiquiatra, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha, e Membro Filiado do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo
 

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