Saúde

Puberdade precoce: diagnóstico e tratamento

15/08/2018

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Foto: Shutterstock
 
Aparecimento de mamas e/ou de pelos pubianos em meninas com menos de 8 anos de idade e/ou menstruação antes dos 9 anos de idade, aumento do pênis e/ou dos testículos e/ou aparecimento de pelos pubianos em meninos com menos de 9 anos podem ser sinais de puberdade precoce – quando o período considerado “normal” é de 8 a 13 anos para meninas e de 9 a 14 anos para meninos.
 
A puberdade precoce é mais de 10 vezes mais comum em meninas do que em meninos. Se não diagnosticada e tratada, esta alteração pode ter impacto psicológico e social na criança, além de afetar seu desenvolvimento. No início, essas crianças são, em geral, mais altas que seus amigos ou familiares da mesma idade. Essa aceleração do desenvolvimento ósseo na criança, antes do tempo considerado normal, pode resultar em baixa estatura na vida adulta. 
 
“As crianças que apresentam desenvolvimento dos caracteres sexuais precocemente devem ser examinadas, e,em muitos casos, precisam ser tratadas. O principal objetivo do tratamento é impedir que a criança chegue à puberdade antes do tempo desejado e possa, assim, manter seu desenvolvimento cronológico compatível com a idade óssea. As crianças mais desenvolvidas do que colegas da mesma idade podem desenvolver problemas de ordem psicológica e social, como depressão e discriminação. O diagnóstico e o tratamento precoces impedem o desenvolvimento, e previnem estas consequências indesejáveis”, alerta Luis Eduardo Calliari, Professor Assistente da Faculdade de Ciências Médicas e Médico-Assistente do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo.
 
A puberdade é comandada pelo eixo hormonal hipotálamo-hipófise-gônada. Quando este eixo é ativado antes da idade habitual, ocorre a puberdade precoce. A puberdade precoce pode ser central - ocasionada por alterações no sistema nervoso central, muito mais frequente, ou periférica, mais rara, que tem origem em outras partes do corpo, como tumores nos ovários ou testículos, problemas das glândulas adrenais e outros.
 
São diversas as possíveis causas da puberdade precoce, dentre elas estão as de origem familiar, idiopática (sem causa aparente) ou orgânica, como tumores e meningite, por exemplo. É importante ressaltar que, apesar dos pais poderem carregar o gene para puberdade precoce, ela não é hereditária. As meninas tendem a menstruar pela primeira vez próximo à idade da primeira menstruação da mãe, mas, também não é uma regra.
 
A puberdade precoce pode ocorrer também pela administração de hormônios de forma indevida, seja via oral (com medicamentos ou suplementos) ou cutânea (alguns cremes ou pomadas com estrógeno na composição).Além das situações sem causas aparentes, também há maior risco da criança desenvolver puberdade precoce se:
 
- Está muito acima do peso recomendado para a sua idade e altura;
- Foi exposta aos hormônios sexuais (estrogênio e testosterona) antes do tempo, por meio do uso de cremes, pomadas ou suplementos para adultos que contenham estes hormônios;
- Tiver outras condições médicas, como Síndrome de McCune-Albright, hiperplasia adrenal congênita e, em casos raros, hipotireoidismo;
- Tiver recebido tratamento com radiação no sistema nervoso central, como os utilizados para tratar tumores, leucemia, entre outros.
- Nos meninos, a puberdade precoce é menos comum, mas suas causas podem indicar problemas mais sérios no sistema nervoso central ou nos testículos ou nas glândulas suprarrenais.
 
Sobre o diagnóstico – O diagnóstico é realizado por um conjunto de informações, a partir do histórico clínico da criança, exame físico e testes complementares, como dosagem hormonal e exames de imagem como raio X de punho para avaliação da idade óssea e sua comparação com a idade cronológica. Os médicos especializados são os pediatras e endocrinologistas pediátricos.
 
Tratamento – O tratamento da puberdade precoce depende de sua causa. Visa a regressão ou estabilização dos caracteres sexuais secundários e retorno do ritmo de crescimento da criança aos padrões considerados normais. Além disso, tem como objetivo também promover um ajuste psicossocial na criança, bem como alívio da ansiedade dos pais. Com o monitoramento constante e tratamento adequados, a criança pode voltar a ter um crescimento e desenvolvimento compatíveis com sua idade cronológica.
 
 
 

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